Portal Negócios da Comunicação

  • Twitter
  • Facebook
  • Orkut
Adicione esta p?gina aos seus favoritos
OK
Jornalismo

PINGUE-PONGUE

Lu Fernandes


Jornalista, diretora do Escritório de Comunicação Lu Fernandes e sócia da Editora Barcarolla


Por que fazer livros?
Na verdade, todo jornalista, no fundo, é um escritor frustrado. Quando vi que não conseguia ter tempo, nem tinha certeza de ter talento para ser escritora, decidi que seria interessante viabilizar livros. Encontrei dois amigos, Sérgio Kobayashi e Jorge Félix, que alimentavam esse sonho também e decidimos abrir a Barcarolla, que nos tem dado muito prazer. Por enquanto, só prazer; espero que ela se torne viável economicamente.

Jornalismo é profissão ou é prazer?
É prazer. E é profissão. Pelo menos 70% do nosso tempo é voltado para o trabalho. É prazer e é profissão. Ne-cessariamente nessa ordem.

Você acha que os alunos de jornalismo estão prontos para trabalhar?
Não, mas eu também não estava. Penso que o papel da universidade é universalizar idéias. Acho que a gente chega às redações muito crua, não em técnicas, porque isso se aprende. A escola deveria dar conhecimentos de Filosofia, Ciência Política. Isso é importante para você escrever melhor e não ser manipulado.

Você participou do Partido Comunista e fez a coordenação de imprensa da campanha do José Serra para prefeito de São Paulo. Isso não é conflitante?
Não, acho que todo cidadão inte-ressado tem sempre uma ideologia, afinidade com algum partido. A política está na vida das pessoas, você pode negar ou pode participar. Não vejo conflito nenhum. Fiz a coordenação da campanha do Serra porque ele era o meu candidato. Era trabalho, mas também o meu voto e o projeto em que acreditava. Não consigo separar as coisas.

Montar uma editora é  fácil?
Sim, manter uma editora é que é muito difícil. A produção de um livro, comparando com outros produtos, como revistas e jornais, é relativamente barata. Com R$ 20 mil se pode lançar um livro, dois, mas a questão é como colocar esses produtos na livraria. Você tem o problema da distribuição, e o universo de leitores é muito restrito. No Brasil são lançados 15 mil livros por ano. É muito difícil concorrer nesse mercado. Quem quiser retorno de investimento em curto prazo não deve se aventurar nesse ramo.

Então, ser dono de editora é uma aven-tura que pode não ter final feliz?
Para uma pequena editora, sim. Mas é um mercado atraente. Nos últimos anos, muitas empresas estrangeiras compraram editoras nacionais, também ocorreram fusões, o que demonstra ser um mercado promissor. É preciso ter visão, capital e marketing, para que todos saibam quais foram seus lançamentos. Para um pequeno editor é uma grande aventura, e é preciso ter os pés no chão, para que o sonho não vire uma utopia.

É preciso muito planejamento?
Sim, senão você consegue lançar dois, três livros e depois fecha. O mercado nem chega a te absorver, pois para ser levado a sério é necessário ter certeza de que você vai continuar, não que sua empresa é um selo para colocar poucas obras nas prateleiras.

As novas tecnologias ajudaram a criar novos autores e editoras?
Sim, claro. Escrever no computador e imprimir é a parte mais tranqüila; vender é o grande desafio. Ainda existe a dificuldade de como fazer com que seu projeto pessoal chegue ao maior número de pessoas. É preciso ver o livro também como um negócio, não apenas como algo lúdico.

A relação assessoria de imprensa e re-dação melhorou nestes últimos anos?
A profissionalização das assessorias colaborou para acertar a comunicação entre empresas e jornalistas. A ques-tão principal é que o trabalho de assessoria era confundido com o papel daquele profissional que estava ali para esconder a notícia, na época da ditadura. À medida que a sociedade foi se democratizando, ela passou a exigir mais informações. As agências de comunicação precisaram se preparar para atender a essa demanda: a imprensa vai atrás de informações que a população quer. É preciso descobrir o ponto de intersecção entre o interesse do jornalista, que é o mesmo do público, e os da empresa. Não adianta divulgar coisas internas; o que interessa para as pessoas interessa para a mídia.

Qual seu livro de cabeceira?
Ah, não tenho um só. Sou apai-xo-nada por Dostoievski, por um novo escritor espanhol, o Guerreiro, que acabei de conhecer. Tenho vários, tenho fases de paixões.

Capa da Revista

Sumário

Edições Anteriores

Assine

Edição 63 - Abril / 2013

Folheie a revista


Folhear

Comunidade

Banner 300x115
Untitled Document