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PINGUE-PONGUE

Carlos Nascimento


Jornalista e apresentador, trabalhou na Rede Globo, TV Cultura, Record e Bandeirantes. Já recebeu os prêmios Wladmir Herzog como repórter, APCA (duas vezes) e Comunique-se, também duas vezes, como melhor Âncora


Carlos Nascimento

A mudança de trabalho faz bem para o jornalista?
Mudar por mudar, não. Mas mudar quando há uma perspectiva de algo concreto e bom, sem dúvida faz bem.

Você vai sentir falta de trabalhar em rádio, agora que está no SBT?
Vou sentir falta dos colegas que trabalhavam comigo na rádio BandNews. Foram pessoas muito amáveis e que contribuíram muito para que eu pudesse realizar um bom trabalho por lá. Agora, do rádio, acho que não vou sentir falta, porque me identifico mesmo sendo um profissional de televisão.

Como é fazer novos amigos e reencontrar alguns outros?
Eu fui ao SBT uma vez só e a primeira pessoa que conheci e me causou uma excelente impressão foi o Silvio Santos, que me deixou muito à vontade durante nossa conversa. E como é ele que dá o tom no SBT, tenho certeza de que vou me dar bem com todo mundo por lá. Se com o Silvio foi assim, não vejo porque vai ser diferente com os demais. Também fui recebido pelo Luiz Gonzaga Mineiro, diretor de jornalismo da emissora, e todos os profissionais da redação. Alguns deles eu já chefiei antes na Globo. As perspectivas são boas, mas não posso falar de amizade nesse primeiro momento. Amizade é outra coisa.

Como caipira de Dois Córregos, no interior de São Paulo, do que você mais  sente falta aqui na cidade grande?
Na verdade gosto tanto de São Paulo como gosto da minha cidade natal. Nesses mais de 30 anos que vivo aqui, sou tratado pelas pessoas como um cidadão daqui. Fui ao shopping outro dia pela manhã  e não teve uma pessoa com quem cruzei que não viesse me cumprimentar. Eu sou da casa. E quanto ao interior, tenho um sítio próximo da minha cidade natal e posso reencontrar minhas origens sempre.

O que é jornalismo para você?
É o que existe de mais dinâmico em termos de profissão. O que você faz numa noite, no dia seguinte não vale mais nada, a não ser uma coisa ou outra que fica, um assunto importante que ainda precisa ser comentado ou analisado. Jornalismo é pensar no agora e no amanhã. É correr atrás das novidades.

Qual a principal ferramenta para que o jornalista consiga desenvolver bem o seu trabalho?
Recursos materiais, obviamente, são necessários. Sem eles não se faz televisão. Você não consegue fazer nem pizza se não tiver os ingredientes. É preciso ter o básico para desenvolver um bom trabalho. Mas eu não acredito que o sucesso do telejornalista esteja nisso. O que vale é a capacitação do profissional. O telejornalista precisa ser mais analítico, interpretativo, tem que saber contextualizar os assuntos para que o público possa entender melhor o mundo em que vive. Não basta mais transmitir uma notícia simplesmente. Tem que haver um contexto para que o telespectador saiba porque aconteceu aquilo e não apenas que algo aconteceu.

Como você viu os comentários da mídia sobre sua mudança da Band para o SBT?
Escreveram muita coisa errada. A Folha escreveu uma grande bobagem, dizendo que iria sair da Band para fazer o jornal da Ana Paula. Eu nunca disse isso. O que se lê é muita intriga.

A concorrência é motivadora ou uma preocupação?
Em geral, ela é sadia. Tudo que sempre quis fazer é um bom jornal na televisão. O jornal da Ana Paula me motivava a crescer. Tanto que o Jornal da Band enfrentou o SBT Brasil com sucesso. Mas, enfim, não houve nada de falta de recursos e outras coisas que espalharam por aí.

Você não tem medo dessa mania do Silvio Santos de mudar os horários dos programas sem avisar?
Tanto não tenho qualquer receio, que está escrito no meu contrato que me disponho a trabalhar no jornalismo do SBT das 6h até as 2h30 da madrugada. Claro que não em tempo integral! Dentro desse horário, estou à disposição do SBT. Nada me impede de trocar. Quem decide é o Silvio.

O SBT é um desafio, pois era uma emissora que não tinha uma tradição forte em jornalismo?
Eu não faço distinção entre empresas de comunicação. Ter jornalismo antes ou depois, para mim, não faz diferença. O que importa é o que vai se fazer daqui para frente. Temos que nos preocupar com o que vem, não com o que ficou para trás.

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