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ENTREVISTA

O homem multimídia


Sérgio Motta Mello festeja 20 anos da TV1 e prepara a empresa para navegar nas ondas das mídias móveis


Amundsen Limeira

O jornalista Sérgio Motta Mello está comemorando 20 anos da TV1, a empresa de soluções de comunicação corporativa que criou, em 1986, em São Paulo, junto com a mulher, a também jornalista Selma Santa Cruz. De produtora de vídeo, no início, a TV1 se consolidou no mercado multimídia valorizando o marketing presencial e a gestão de marcas e empresas e hoje se prepara para "navegar na onda" das mídias móveis, tendência que, segundo Motta Mello, deverá marcar o futuro próximo do mercado em que atua.

"Uma área que provavelmente deve se destacar bastante é a da mobilidade tanto na telefonia como na informática. É você poder conectar seu computador onde quer que seja, não importa aonde, e a partir daí interagir com outras áreas do marketing on-line", prevê o jornalista/empresário que já desenvolve alguns projetos nessa linha. "Só não posso é divulgar agora quais são esses projetos", vai logo avisando ele.

A TV1 é um grupo de quatro empresas - TV1 Vídeo, TV1 Eventos, TV1.com e TV1 Editorial, que no ano passado faturou R$ 35 milhões, um crescimento da ordem de 10% em relação ao exercício anterior. No centro delas, a Multi TV1, núcleo criado há pouco mais de um ano para integrar as quatro competências em condições mais abrangentes. "Servirá como organização do presente e uma espécie de laboratório do futuro", comenta Mello ao referir-se a esse núcleo de negócios que também terá o papel de pesquisar as novas tendências do mercado.

Formado em Direito, Sérgio Motta Mello começou no jornalismo em 1969, como redator e repórter do jornal Folha de S.Paulo, de onde se transferiu, em 1972, para O Estado de S. Paulo. No Estadão, trabalhou por quase sete anos como repórter local, repórter especial e correspondente na França. Voltou como repórter especial da Rede Globo e logo foi trabalhar nos Estados Unidos como correspondente da emissora em Nova York e em Washington. Retornou ao Brasil em 1985 e no ano seguinte já comandava a sua empresa, com a qual se tornou conhecido pelo programa Gente Que Faz, do banco Bamerindus. Leia a seguir a entrevista com o diretor-geral da TV1.

Como sobreviver nesse mercado multimídia?
O que nós aprendemos ao longo desses 20 anos foi, antes de mais nada, ouvir nossos clientes, ficar interagindo com eles, o tempo todo. Quando começamos a adquirir novas competências, o primeiro movimento que fizemos foi o de ir para o segmentado. Cada uma das nossas unidades - TV1 Vídeo, TV1 Eventos, TV1.com e TV1 Editorial - está focada no seu negócio. Tem área comercial própria, área de operações totalmente autônoma, independente, focada e competindo no mercado. Isso nos deu uma coisa importante, que é o foco. Foco no cliente. Foco no mercado. Temos um ganho de escala aí que é o fato de toda a nossa adminstração e também o RH serem compartilhados entre todas as unidades, então você dilui custos com isso. A gente repassa isso para os clientes.

O fato de estar "focada no negócio" contribuiu em que, objetivamente, para o desenvolvimento da empresa?
A preocupação de não perder o foco no cliente ajudou principalmente a nos tornar uma empresa mais competitiva. Ao mesmo tempo, contribuiu para que a empresa como um todo se beneficiasse das oscilações verificadas no mercado. Isso quer dizer que se uma das nossas unidades não vai tão bem assim, a outra unidade vai um pouco melhor e isso, claro, faz com que uma coisa acabe compensando a outra.

O que mudou no mercado desde a fundação da TV1 Comunicação e Marketing?
O mundo corporativo, em 1986, era muito diferente. A própria rotina das empresas era bem diferente. Não havia fax, e-mail, internet nem celular...

A empresa também mudou muito nesses 20 anos?
O grande desafio das empresas em geral é o desafio da inovação. Você pode se perguntar como vão ser os proximos vinte anos. De uma coisa eu tenho certeza: serão muito diferentes dos últimos vinte anos. Todas essas empresas têm esse desafio, essa visão obrigatória de estar se renovando, constantemente. No nosso caso, estamos olhando para frente pensando coisas novas. E sempre acolhendo idéias novas. É como uma espécie de renovação biológica. Ao completar 20 anos de atuação, a TV1 mantém a coerência, continua olhando para o futuro e propõe ao mercado uma reflexão sobre os novos desafios que se desenham para os profissionais da comunicação e do marketing.

O que representou a incorporação de novas mídias?
Desde que foi criada, a incorporação de novas mídias e tecnologias em projetos de marketing e comunicação é uma das marcas da TV1, que produziu os primeiros CD-ROMs e DVDs corporativos do país, explorou a Internet em sites pioneiros, como o portal de relacionamento desenvolvido para a Antarctica em 1995, e desenvolveu, para a Volkswagen, o primeiro advergame para instant messengers da América Latina. A TV1 tem um DNA tecnológico. Nascemos como uma produtora de vídeo, na fase de consolidação do VHS, e depois fomos acompanhando a segmentação e multiplicação das mídias, a chegada da interatividade e das plataformas móveis, a valorização do marketing presencial e a própria mudança conceitual na gestão de marcas e empresas.

É a incorporação de novos paradigmas de marketing?
A comemoração dos nossos 20 anos coincide com um momento de mudança radical nos paradigmas da comunicação e do marketing, em função da convergência de tecnologias, da interatividade, da segmentação e das novas mídias. Nossa história e nossos cases refletem esta evolução, já que fomos pioneiros em muitas soluções. Trabalhamos com os novos paradigmas da segmentação e multiplicação de mídias, da chegada da interatividade e das plataformas móveis, da valorização do marketing presencial e a própria mudança conceitual na gestão de marcas e empresas.

Quais são as áreas de atuação da empresa?
A empresa é formada pela TV1 Vídeo, TV1 Eventos, TV1.Com, TV1 Editorial. Há um ano demos um passo importante, que certamente vai nos acompanhar no próximo ano também, que é o desafio da integração, que foi a constituição de um novo núcleo, o Multi TV1, que está no centro das outras quatro áreas, que tem a missão de integrar essas quatro competências em condições mais completas, mais abrangentes. Servirá como organização do presente e uma espécie de laboratório do futuro. É um núcleo que hoje conta com profissionais preocupados com o desenvolvimento e implementação de soluções de comunicação integrada, e também tem o papel de pesquisar novas tendências do mercado.

E a área editorial?
A área editorial está integrada há apenas dois anos ao nosso sistema. É a única em que nós não somos líderes de mercado, ainda. Apesar do alcance cada vez maior das mídias eletrônicas, a comunicação impressa ganha importância no mix de comunicação das empresas, graças à revalorização de seus atributos únicos - o poder de perenizar e detalhar informações, facilitar seu manuseio, estabelecer com cada pessoa uma dinâmica própria de interação.

Quais os planos para a TV1 Editorial?
Estamos caminhando para a liderança do mercado. Os planos são continuar trabalhando junto com nossos clientes. Mas o que é interessante é que a integração das nossas competências vai certamente abrir novas frentes para a área editorial, oportunidades que uma empresa essencialmente editorial, sozinha, não teria. Integrar as midias com a área editorial como o que estamos fazendo agora com a publicação da SAP, uma grande empresa alemã de tecnologia, um cliente integrado, com foco na difusão das soluções SAP e no universo da Tecnologia e Informação na qual a gente trabalha a divulgação dos cases de sucesso da companhia. Isso é feito não somente por meio da revista, mas também dos vídeos que nós fazemos e de textos tanto impressos quanto aqueles que são produzidos especialmente para a Internet.

E o faturamento do grupo?
No ano passado, nós faturamos cerca de R$ 35 milhões, 10% a mais em relação a 2004. Agora em 2006 esperamos cres cer entre 10% e 15%, aproximadamente. Isso porque a empresa conseguiu abrir novas áreas de atuação e está atraindo novos clientes, como a Volkswagem, para a área de eventos, a Brasil Telecom, na área de Internet e de endomarketing, e o Carrefour, que terá seu site todo reformulado.

Como está distribuído o faturamento das empresas?
O grosso do faturamento está dividido entre a TV1 Vídeo com 35%, TV1.com que responde por 30% e a TV1 Eventos também com 30%. A TV1 Editorial é a menorzinha, com 5% do total.

Na sua opinião, qual a tendência do mercado multimídia?
Agora, uma área que provavel mente deve se destacar bastante é a área da mobilidade tanto na telefonia como na informática. É você com seu notebook conectar não importa aonde e poder utilizar seu celular como uma mídia. Estamos trabalhando em alguns projetos explorando esse potencial da mobilidade. Na verdade, estamos trabalhando em dois projetos nessa linha, mas não posso divulgar ainda quais são eles.

O caminho então é a Internet?
Eu diria que a Internet, conceitual mente, é como se fosse uma bússola que apontou o caminho, mas aí surgem as motoniveladoras que estão abrindo as estradas, que são muitas. A mobilidade, tanto na telefonia celular quanto na informática, é uma dessas estradas. Outras possibilidades interessantes também surgem na área da digital mídia, além da comunicação um a um, da interatividade, tudo aberto pela Internet e que você vai poder explorar tendo outras capacitações na área da comunicação.

E os investimentos previstos para este ano?
Pelo menos 30% da receita da TV1 são investidos todos os anos na empre sa. Nós não podemos parar de investir. Temos um negócio de alta tecnologia no qual é necessário investir o tempo todo. Por exemplo: Agora mesmo estamos mandando três pessoas para a NAB (National Association Broadcast), que acontece em Las Vegas todos os anos. É a maior feira de equipamentos na área de comunicação eletrônica, rádio, televisão e Internet. Fora isso, estamos trabalhando na digitalização de todos os nossos arquivos, todo nosso material, além de um trabalho de interligação em rede de todas as nossas ilhas de edição, na área de captação em alta defi nição de HVTD. Enfi m... tudo isso é investimento.

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