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EDITORIAL

Editores preocupados com o quase monopólio da Abril


Desde o último dia 11 de outubro, quando o mercado editorial soube da compra da Fernando Chinaglia...


MARCIO CARDIAL

Desde o último dia 11 de outubro, quando o mercado editorial soube da compra da Fernando Chinaglia pela Abril S/A, por meio da sua empresa, Distribuidora Geográfica Brasil (DGB), uma sensação de desconforto dominou as companhias clientes da Chinaglia, por uma questão simples: o quase monopólio que o Grupo passa a ter na distribuição de revistas no Brasil. A partir de agora, ambas, Dinap e Chinaglia, estão subordinadas à Treelog S.A. Logística Distribuição, nova empresa com o selo Abril.
É inegável a excelência que a Editora construiu ao longo dos 57 anos de existência. De suas redações, saíram jornalistas cuja trajetória funde-se aos fatos mais importantes do país, da construção da democracia e de um jornalismo praticado com seriedade. De seus escritórios, partiram alguns dos mais competentes executivos e, atualmente, proprietários de editoras. A Abril tornou-se referência em conteúdo editorial e em design, em estratégias de marketing e vendas. Seus títulos ocupam a maior parte do espaço das bancas e vai além, ao também publicar revistas para empresas, nicho ocupado especialmente pelas editoras menores.

A Abril traz estudiosos e especialistas do mercado internacional para a realização de palestras e apresentações abertas aos profissionais da área e associados à Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) - entidade da qual é uma das fundadoras, e que vem mantendo, entre seus presidentes, executivos da Editora.

Tamanho poder, que também garante à Abril o maior número de anunciantes para suas revistas, deixa todos sem saber o que representará para o dia-a-dia de pequenos e médios editores a quase totalidade da distribuição nas mãos de um único grupo. Na matéria Mudanças no mercado de distribuição (página 53), editores refletem sobre a nova situação e lançam suas questões: a Dinap manterá a negociação com editoras de publicações segmentadas e com tiragens menores, cuja visibilidade e vendagem dependem de uma distribuição minuciosamente planejada? Abrirá espaço para o lançamento de novas editoras?  Como ficam as publicações concorrentes, a exemplo das semanais de informação Época e IstoÉ? As regras valerão para todas igualmente? Ao assumir o quase monopólio da distribuição, a Abril torna-se, também, conhecedora das estratégias de marketing de praticamente todo o mercado editorial. Fornecedora e concorrente. É possível atuar em frentes opostas? As perguntas são inúmeras. As respostas, só o tempo dará. 

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