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Jornalismo

África

Um continente de idéias


Com seis anos de mercado, a agência apresenta um novo modo de pensar a relação com o cliente


Guilherme Pichonelli

"Não somos uma agência de propaganda, mas sim uma agência de marketing." Essa é a primeira definição do que é a Africa para Márcio Santoro, sócio e vice-presidente executivo da empresa. Criada em 2002 por Nizan Guanaes, ela chegou ao mercado para quebrar paradigmas. "Surgimos como uma proposta nova; temos, por opção, poucos e selecionados clientes. Atendemos, exclusivamente, cada uma de nossas contas com profissionais preparados e sócios que se dedicam dia-a-dia, desde a criação de um produto até a campanha mais completa", avalia Santoro.

A Africa faz parte do Grupo ABC, que está entre os 25 maiores conglomerados de comunicação do mundo (de acordo com a Advertising Age, ocupa a 21ª posição), ao lado de estadunidenses, japoneses e ingleses.
Ao todo, são onze clientes na agência: AmBev (Brahma), Itaú, Mitsubishi, Folha de S. Paulo, JHSF, Suzuki, Philips, Grendene, Vale, Vivo e Wal-Mart. Pelo portfólio, percebe-se o motivo de a Africa ser tão grande, diversificada e chamativa, tal qual o continente africano. "O nome foi escolhido para ser entendido internacionalmente e ainda homenagear um povo que colonizou e emprestou cultura ao Brasil", resume o sócio da agência.

Desde que a empresa foi criada, há seis anos, Nizan Guanaes envolve-se pessoalmente na estratégia criativa de cada um dos anunciantes. "Ele é mais que um homem de negócios: é um talento para reconhecer novos talentos e valorizar seus profissionais", adverte Santoro.

O diretor de planejamento, Pedro Cruz, divide em quatro disciplinas fundamentais a estrutura da empresa: Planejamento, Atendimento, Mídia e Criação. "Hoje, o Planejamento cresceu muito para poder se adaptar ao processo de criação, consagrando-se como o mais competente na área de marketing. Entretanto, cada área tem de estar intrinsecamente ligada, assim conseguimos a excelência do trabalho."
Alguns diferenciais são rapidamente notados. Cada cliente tem uma sala própria, que recebe diariamente a visita de Nizan, Santoro, do vice-presidente de criação, Sergio Gordilho, do vice-presidente de mídia, Luiz Fernando Vieira, e da vice-presidente financeira, Olivia Machado. "É da união e competência entre os sócios, diretores e funcionários que os cases de sucesso surgem", diz Santoro.

Para exemplificar, ele cita o caso Grendene, em que ajudaram a criar um novo produto, a Ipanema RJ, uma sandália desenhada por Oskar Metsavaht, da Osklen. Não houve sequer uma campanha, mas eles auxiliaram na criação de uma novidade, trazendo valor agregado à marca. Sobre os 120 anos da Brahma, houve a criação dos rótulos históricos - sucesso entre os admiradores da cerveja. Em pauta durante o ano todo, os 50 anos da Bossa Nova também tiveram lugar na Africa. Eles elaboraram todo o projeto do Itaú, que contou com diversos shows, entre eles, o de Caetano Veloso e Roberto Carlos interpretando Tom Jobim, que já se transformou em marco da música brasileira.

Luiz Fernando Vieira e sua equipe fizeram um grande projeto de mídia durante a criação da Mitsubishi FM, que hoje também figura entre as mais ouvidas da capital paulista. Outra diferença é que a Africa não se inscreve em prêmio algum, mas, mesmo assim, é uma das agências mais premiadas do País. Todos, diga-se, são reconhecimentos espontâneos. Em 2006, venceu o Prêmio Caboré de Agência do Ano.

Polêmicas
O sucesso da Africa esbarra em algumas polêmicas. A começar pelo próprio presidente, Nizan Guanaes, cujas afirmações periodicamente aquecem os ânimos. Em junho de 2008, a Neogama/BBH afirmou que a empresa do publicitário plagiou uma campanha que divulgava a participação da automobilística Renault no patrocínio do Festival de Cinema de Cannes, na França. Segundo a acusadora, "a peça criada pela Empresa do Grupo ABC para a rádio Mitsubishi se vale exatamente da mesma idéia gráfica, com a montagem das palavras e do dial da emissora por meio de fotos de trecho de estradas". Sergio Gordilho saiu em defesa da Africa e alegou que a idéia era promover o lançamento da rádio e neste quesito não houve plágio algum. Ele afirma também que a Neogama não é dona desse tipo de grafia em propagandas. "Não queremos fazer disso uma grande confusão. Se eles tivessem lançado uma rádio para a Renault, tudo bem, mas essa questão do partido gráfico não pode ser considerada um plágio. Se for assim, ninguém mais poderá fazer anúncio de fundo preto com letras brancas, pois será acusada de cópia", disse na época à mídia.

Outro caso famoso ocorreu entre Oi e Vivo. Quando a Telefonica Celular mudou de nome, quem cuidou de seu lançamento foi a Africa. Ela utilizou uma modelo cobrindo a boca com um pedaço de roupa e seu bonequinho interagia com a foto. Tudo muito parecido com outro anúncio da Oi, feito pela carioca NBS. Além disso, quem criou o logo e o nome das duas marcas foi a londrina Wolff Ollins; a semelhança (e o possível plágio) começa aí. A liminar de suspensão de todas as peças publicitárias da Vivo saiu em 5 de maio de 2003.

Futuro
"Sabemos que o momento é de desafios, os próximos meses não serão fáceis, mas acreditamos no Brasil e na força das empresas que aqui estão", diz Santoro sobre o futuro da Africa. Apesar do quarto trimestre de 2008 ter sido difícil, o ano geral, ele informa, foi muito bom para a agência, com crescimento de aproximadamente 20%. "Em 2009 poderemos até crescer menos, mas não iremos declinar, de jeito nenhum. Precisamos manter a atratividade", diz referindo-se a uma pesquisa feita pelo Grupo Consultores, com 350 anunciantes, que elegeu a Africa como a agência mais desejada do Brasil.

Unir sucesso e credibilidade é uma receita que eles tentam manter sempre.
"Nosso sucesso pode ser visto e comprovado por meio de nossos clientes. Esta carteira contém algumas das maiores empresas do país e do mundo. A relação tão próxima com eles está em nosso DNA." Planos de expansão? Esse pensamento não vigora entre os sócios de Nizan Guanaes. "Crescer, para nós, tem limites, já que nossos serviços são totalmente exclusivos", diagnostica.

Eduardo Barão, diretor de conteúdo da Mitsubishi FM, avalia como positiva a parceira Africa e rádio. "Realizamos reuniões freqüentemente para afinar todo o conteúdo que vai ao ar." Para ele, a grande contribuição da agência foi o destaque que a Mitsubishi ganhou em todos os quesitos após a efetivação do contrato. "Eles identificaram um negócio que poderia dar uma visibilidade boa à marca e os resultados estão aí. É uma excelente relação", finaliza Barão.

Para prosseguir e perseguir o caminho do sucesso com fidelidade e credibilidade, Santoro aposta em inovação. "Estamos criando, desde o momento em que nos lançamos ao mercado. Nascemos diferenciados. Cada detalhe é pensado para ser novo. Tudo na Africa é diferente. Qualidade, para esta agência, é algo que não tem limites. Este modelo é único no País e com poucos similares no mundo, o que reflete um movimento de vanguarda que aos poucos começa a ganhar lugar no mercado."

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