Exposições que reúnem as principais empresas dos setores são uma grande oportunidade para qualquer área de atuação. No mercado editorial de livros não é diferente. Além de incentivar a leitura entre a população, eventos como feiras e bienais, sem contar festivais com a presença de escritores renomados, funcionam como forma de promover editoras, autores e publicações.
Da última Bienal participaram 350 expositores, sendo 35 estrangeiros. Eventos como este se tornam uma oportunidade rara para ampliar o campo de atuação no mercado e vê-lo de perto.Não por acaso, importantes editoras veem com bons olhos a participação em feiras semelhantes. "Para as empresas, constituem uma chance valiosa para que recebam informações sobre o mercado, focalizem nos seus públicos de interesse, firmem negócios e atualizem seu conhecimento a respeito do setor", afirma a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini.
A entidade apoia e organiza diversas feiras e festivais literários pelo Brasil, entre eles, Bienais de São Paulo e Rio de Janeiro - as mais importantes do país. Rosely explica que o objetivo da CBL ao promover tais acontecimentos é fortalecer o mercado editorial. "A missão da CBL consiste em atender aos objetivos maiores de seus associados e ampliar o mercado editorial por meio da democratização do acesso ao livro e da promoção de ações que ajudem a difundir e estimular a leitura", resume.
Não somente oportunidade para manter relações dentro do setor, as feiras permitem às editoras, ainda, consultar as preferências do leitor. "É uma chance de ver o que o público quer. Conversar com leitores, professores e alunos, e saber o que eles esperam da marca", explica o diretor-geral da Editora Melhoramentos, Breno Lerner. "Se eu fosse fazer uma pesquisa, demoraria muito visitar escolas, juntar esse público para conversar. Com uma feira, nós já temos essas pessoas reunidas", justifica. E não é para menos, já que a Bienal de São Paulo recebeu em 2008 mais de 700 mil visitantes.
Muitas editoras apostam nos eventos como forma de aumentar os negócios. "A Bienal Internacional do Livro e outras desse porte são importantes? para negócios entre editoras e livreiros no Brasil", avalia Marcus Vinicius Barili Alves,? gerente corporativo e editor da Editora Senac São Paulo. A Senac, por exemplo, participa de inúmeras feiras nacionais e internacionais, entre elas, a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, a Bienal Internacional do Livro em São Paulo e no Rio, e a Feira de Frankfurt, considerada uma das maiores do mundo. "Os resultados não são mensurados somente ao encerramento do evento, mas sim ao longo do tempo pela ação de divulgação realizada com a distribuição de catálogos, folhetos e apresentação dos produtos", completa Barili Alves.
O governo também tem participação nas feiras - muitas delas, de menor tamanho, organizadas por ele próprio. Além disso, promovendo a visita de escolas públicas, ele chama aos eventos literários as editoras de publicações didáticas. "Eles pré-aprovam livros nossos como material didático e incentivam a participação das escolas nesse tipo de feira. Nós vamos para mostrar aos alunos e professores os livros que eles irão trabalhar, e fazer negócios, é claro" explica Lerner.
O outro lado
Apesar de trazer inúmeras vantagens, as grandes feiras ainda são deficitárias, influenciando pouco nas vendas das editoras. "No passado, a influência de uma feira na editora era muito maior", afirma Lerner, da Melhoramentos. "O peso de uma bienal é inversamente proporcional ao número de livrarias. Em São Paulo, por exemplo, temos megastores como a Saraiva e a Cultura, que são bienais todo dia, em um ambiente muito mais tranquilo e confortável, e em locais de acesso muito mais fácil", explica.
Na sugestão do diretor da Editora Melhoramentos, os organizadores deveriam se perguntar o que faria uma família querer ir a uma bienal do livro. "Para que as grandes bienais voltem a ser economicamente importantes para as editoras, elas deveriam ser repensadas. O que faria uma família que busca um ambiente literário deixar de ir a uma megalivraria e ir à Bienal, além, é claro, de a Bienal oferecer todos os confortos que esse tipo de loja oferece?"
Outra fraqueza das feiras brasileiras, apontada pelo setor, ainda é o porte, bem menor que as internacionais. Segundo a presidente da CBL, o mercado interno de livros está em alta, mas as feiras internacionais estão muito à frente das nacionais. "O Brasil caminha muito bem, e é notório que os nossos eventos estão se tornando mais fortes a cada ano. Mas ainda temos muito a desenvolver. Além disso, não se pode esperar que a gente chegue a um patamar como o da Feira de Frankfurt, a maior do setor em nível mundial, onde se reúnem mais de sete mil expositores", compara Rosely Boschini, da CBL.