A integração do jornal às demais mídias, novas ou tradicionais, à qual pode agregar marcas e processos de produção de conteúdos intrinsecamente associados a informação de qualidade é uma receita não apenas da grande imprensa do Sul e do Sudeste. Ela também fundamenta a estratégia do jornal piauiense Meio Norte, carro-chefe do conglomerado Sistema Integrado de Comunicação Meio Norte, no qual há também televisão, rádios e portal na internet (ver box).
Somando a essa proposta de qualidade e integração o investimento em tecnologia e gestão, o Meio Norte obteve, no período compreendido entre junho último e o mesmo mês de 2008, incremento de circulação de 6,5%. Ainda comparativamente a junho último, quando sua circulação média mensal somou 6.428 exemplares, esse índice de crescimento superou a marca de 10%, revelam os dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC). Em apresentação e qualidade de informação, o jornal piauiense coloca-se entre alguns tradicionais veículos da região, como O Povo (Fortaleza), A Tarde (Salvador), Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco (Recife), este último o mais antigo jornal brasileiro, fundado em 1825.
A redação do jornal integra-se de maneira muito estreita com os profissionais dedicados aos demais veículos do grupo. Na verdade, todas as equipes atuam de maneira integrada, em um espaço no qual não há paredes nem divisórias. Ali trabalham 350 pessoas, 62 delas jornalistas. Desenvolvem diversos projetos conjuntos: por exemplo, a caravana Meu Novo Piauí, que percorre, com equipes mistas de jornal, TV e portal, todos os 224 municípios do Estado. Enquanto a TV do grupo veicula diversos conteúdos produzidos por sua equipe, o jornal Meio Norte publica páginas inteiras. "Praticamente metade dos nossos profissionais de imprensa já atuou em todos os meios", destaca José Osmando Araújo, diretor de jornalismo do Sistema Meio Norte de Comunicação.
Lançado no primeiro dia de 1995 - e hoje distribuído em mais de 80 cidades do Piauí -, o Meio Norte combina essa busca pela integração a investimento na qualidade do conteúdo e na capacitação dos profissionais. Para isso, mantém há mais de dez anos, um programa de estágios responsável pela qualificação de cerca de 70 profissionais.
Publica, além dos conteúdos habituais dos grandes jornais, diversos cadernos e suplementos segmentados: Vida, For Teens, Infantil, Notícia da TV, Art & Fest, Piauí (municípios). Em seus cadernos de classificados temáticos, diariamente há três páginas de conteúdo editorial.
Em parceria com os demais veículos do grupo, promove projetos como o "Prêmio Piauí de Inclusão Social", destinado a premiar empresas de todos os portes, organizações governamentais e não governamentais, cooperativas e empreendedores individuais empenhados na geração de emprego e no desenvolvimento da responsabilidade social. Este ano, o prêmio entra na quinta edição.
Publicidade e tecnologia
Assim como em sua circulação, também no mercado publicitário o Meio Norte mantém trajetória ascendente. "Comparado ao mesmo período de 2008, nos primeiros sete meses deste ano nosso faturamento cresceu 10,6%", revela Edilson Carvalho, diretor comercial do Sistema Meio Norte.
O jornal, ele diz, investe constantemente em campanhas publicitárias veiculadas em diversas mídias. "E, no mínimo três vezes por ano, divulgamos pesquisas sobre os números de leitores e a relação deles com nosso conteúdo", conta Carvalho.
Impresso em gráfica própria, o Meio Norte tem, desde 2006, sua impressão realizada pelo sistema CTP, que elimina o fotolito. "Recentemente incorporamos um CTP mais avançado, com uso de chapa convencional, cujo custo é mais baixo", conta o diretor de jornalismo. "Pioneirismo é a marca mais forte do Meio Norte", sintetiza. Foi este, lembra Araújo, o primeiro jornal piauiense a circular, às segundas-feiras, e também o primeiro a adotar cores na sua impressão. "Desde outubro último, as edições das segundas-feiras circulam no formato Berliner, com todas as páginas coloridas", acrescenta.
Revistas também brilham
Simultaneamente à sua consolidação como região com crescimento relevante na economia nacional - decorrente de uma conjugação de fatores na qual se mesclam itens como os programas governamentais de apoio à população de baixa renda e o processo de descentralização da produção industrial - , o Nordeste começa a abrir maior espaço às revistas dirigidas à sua população, estimada em aproximadamente 55 milhões de habitantes.
Entre as publicações, destaca-se a revista Nordeste, que soma três anos de existência. "Falamos do Brasil com visão nordestina", diz Walter Santos, diretor presidente do grupo WSCOM, responsável pela publicação. Com sede em João Pessoa (PB), a revista Nordeste tem periodicidade mensal e, de acordo com Santos, circula com 42 mil exemplares (não auditados pelo IVC), assim distribuídos: 6,8 mil para assinantes, 30 mil vendidos em bancas, e o restante enviado para um mailing. Cada exemplar custa R$ 6,90 e, além de distribuída nos nove estados nordestinos, a revista pode ser encontrada nas bancas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal. "Ainda este ano abriremos escritórios comerciais em Brasília, São Paulo e Recife", conta o diretor. "Também queremos fortalecer nossa visibilidade em Recife, Salvador e Fortaleza", acrescenta.
Já a revista Venha Ver é editada em Alagoas e aborda turismo, meio ambiente e economia regionais. "É distribuída para mailings relacionados a esses temas. Com periodicidade mensal, a Venha Ver tem circulação média de 5 mil exemplares (não auditados pelo IVC)", diz Esdras Gomes, sócio-diretor da Editora Venha Ver.
Prestes a comemorar seu nono aniversário, a revista já gerou outros conteúdos, como a série Venha Ver Memória, composta por publicações dedicadas a nomes relevantes na história de Alagoas, como Graciliano Ramos, Jorge de Lima e Teotônio Vilela. Também há planos para atuação em outros segmentos: "Ainda este ano lançaremos o primeiro Guia de Serviços de Alagoas", diz Gomes. "Também ampliaremos a edição de jornais e revistas para entidades públicas e privadas, e abriremos espaço para a editoração de livros", finaliza.
Negócio de família
Fundador do Jornal Meio Norte, o empresário Paulo Guimarães hoje delega a seus filhos, Daniel e Lívia Guimarães, a gestão do Sistema Integrado de Comunicação Meio Norte. Lívia atua como superintendente, e nesta entrevista à Negócios da Comunicação fala sobre os projetos do grupo.
Quais são as empresas componentes do grupo?
O fundador do Jornal Meio Norte foi meu pai, Paulo Guimarães, em janeiro de 1995. Há alguns anos, no entanto, ele se afastou do comando, deixando a gestão comigo e meu irmão Daniel que, no momento, faz pós-graduação fora do Brasil. A TV Meio Norte e a Rádio Meio Norte tiveram as operações iniciadas por meu avô, Napoleão Guimarães, em 1984, e atualmente também estão sob nossa gestão.
Quantos municípios, e seu número de habitantes, são sintonizados por suas emissoras?
Cerca de 90% da população do Piauí (hoje o Estado tem 3 milhões de habitantes), assistem à programação da TV Meio Norte, que está no satélite desde 1985. Trata-se da primeira emissora regional do Brasil a ter um sinal espacial. O Jornal Meio Norte, por sua vez, circula em todos os 224 municípios do Estado.
Há planos de expansão do grupo para os próximos anos?
Sim, há plano de expansão. A nossa expectativa de crescimento na circulação do jornal para o interior do Estado varia de 12% a 15%. Além disso, esperamos que o nosso faturamento cresça, este ano, cerca de 25%, em relação ao faturamento de 2008. Estamos inaugurando duas novas rádios no Piauí, nos municípios de Oeiras, antiga capital do Estado, e Campo Maior. Também iniciamos o ano investindo em três novas rádios no Estado do Ceará, nos municípios de Camocim, Quixadá e Brejo Santo. No total, o público de nossos comerciais NET em nossa rádio geradora de Teresina chega a 3,5 milhões de pessoas.
Como vê o atual momento da mídia no Nordeste brasileiro e, mais especificamente, no Piauí?
A mídia no Nordeste, a exemplo de todas as atividades econômicas da região, está passando por um excepcional momento. A irrigação econômica proporcionada pelas ações governamentais e a consequente circulação de dinheiro, mudaram a face da pobreza absoluta que existia. Hoje, o Nordeste fez crescer rapidamente as empresas que já existiam, e tem despertado desejo de participação nesse bolo de muitas empresas no Brasil e no mundo.