![]() |
Cada um ao seu estilo, candidatos à Presidência investiram em novo visual para fazer bonito na campanha
|
Quem merece a maior simpatia dos eleitores? Aquele que apresenta as mais convincentes propostas, ou o que exibe o visual mais atraente? Seria, esse último, fator excludente? Na era da imagem, a aparência dos candidatos está longe de ser aspecto de menor importância em uma campanha, concordam especialistas em marketing político e estudiosos do discurso do corpo como forma social de comunicação.
"Qualquer discurso só é legitimado por uma escuta", diz a psicóloga clínica Rosa Maria Blanco, citando o poeta, romancista e estudioso suíço das poéticas da voz Paul Zunthor. "Claro, para um bom resultado o discurso não pode impedir a escuta. Assim, não é superficial cuidar que ele chegue de maneira menos dura, que o outro o receba mais facilmente, com uma maneira boa de ver e de ouvir. Então vamos tentar pela plástica e pela fonoaudiologia". Dilma, prossegue a psicóloga, é muito assertiva no tom e no rosto marcado. Serra passa uma figura um pouco mórbida, o tom de voz não é agressivo, mas agudo demais. "Por isso, é preciso usar recursos que façam o discurso passar melhor e ter ressonância", afirma.
Eleitoras votam em homens cujo rosto transmita a ideia de competência e proximidade
Um estudo israelense mostrou que políticos mais atraentes, como Barack Obama e Bill Clinton tendem a ter mais cobertura da mídia do que os demais. A pesquisa, da Universidade de Haifa, explora a associação entre a aparência física dos políticos e reportagens em três canais da televisão israelense. "Levantamentos anteriores mostraram que as pessoas geralmente tendem a preferir a companhia de quem é fisicamente atraente e até mesmo valorizá-los como mais dignos. Nosso estudo revela que os jornalistas provavelmente se comportam exatamente da mesma maneira", escrevem os pesquisadores Yariv Tsfati, Markowitz, Dana Elfassi e Israel Waismel-Manor.
Além de apurar que os políticos mais atraentes recebem maior cobertura nos noticiários da televisão, o estudo revelou, também, que a aparência das mulheres influencia mais na quantidade de cobertura do que a dos homens. Apesar disso, há bem menos notícias sobre mulheres políticas do que sobre os políticos.
Imagem modelada
Para Tatiana Gianordoli, consultora e membro da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP), professora e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, o discurso político-eleitoral não é somente oral. Em sua tese, ela investigou o discurso do corpo como forma social de comunicação e de significação na dinâmica do político, e como a mídia eletrônica, em particular a televisão, desempenha papel central no que se refere à disputa, à conquista e manutenção do poder pelos agentes políticos.
![]() |
Torquato, consultor político: influência na decisão de voto é relativa |
"Por meio das pesquisas de opinião, o marketing conhece as expectativas da sociedade a fim de construir os discursos dos candidatos. Há um corpo a ser trabalhado como manifestação discursiva. O marketing faz, então, esse trabalho de modelar a imagem visual do candidato, com habilidade para se valer de artifícios detectados no imaginário popular", acentua.
Esse trabalho de modelar a imagem do candidato revela que conta muito ao eleitorado encantar-se com o que está diante dele. Logo, quem melhor souber manipular a linguagem onírica da televisão, certamente mais encantará o eleitorado.
"E esse encantamento, afirmo, independe do conteúdo do discurso oral do candidato, pois ele surge como um efeito-imagem, como uma identificação do eleitor com a imagem do candidato. Por isso o visual influencia, sim, na decisão do voto do eleitor", atesta a especialista.
Os candidatos precisam atingir o inconsciente ou o subconsciente do eleitor, como destinatários dos seus discursos, alvos a serem por eles conquistados. "Através do discurso eleitoral, o candidato se propõe como o 'eu ideal' (expressão empregada por Freud, em 1894), construindo uma imagem com a finalidade de fazer os eleitores sancioná-lo positivamente no dia da eleição", acrescenta.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>