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O futebol, para Hawilla, é paixão e negócio. Ao lado, com a bola autografada da Copa de 62 |
Háwilla coleciona gols. Seus feitos incluem a Rede Bom Dia, com dez jornais no interior paulista; a TV TEM, afiliada da Globo, com estações em Sorocaba, Rio Preto, Bauru e Itapetininga, que cobrem uma área de 318 municípios; três times de futebol e muito mais, além da recente compra do Diário de S.Paulo. A menina dos olhos, entretanto, é a Traffic, sua maior conquista e carro-chefe do grupo.
Sua ampla sala de trabalho, na sede no Itaim Bibi, em São Paulo, é a tradução de sua personalidade: equilibrada entre o formal e o despojado, o moderno e um discreto 'quê' conservador. Tudo muito bem calculado, entre o clean e o detalhado. Numa ponta da sala, vidro transparente do teto ao chão. Na outra, madeira e uma parede inteira, lugar de honra, para sua paixão: o futebol. Quadros com registros de antigas Copas, objetos de causar inveja a qualquer torcedor, como a bola que rolou nos gramados da Copa do Mundo de 1962, no Chile (obviamente, assinada por todos os jogadores da seleção).
Desde o começo da carreira como locutor esportivo na rádio, em Rio Preto, interior de São Paulo, ele transformou o "José em J". O nome logo pegou no meio jornalístico. Ele só não contava que viraria marca. J. Háwilla, hoje, é sinônimo de poder e competência. "A Traffic nasceu da relação com o futebol. E esse meio não tem credibilidade. Notoriamente, sofre desse mal, de falta de seriedade, de falta de organização. Tudo isso, quis impor na empresa. Ao longo dos anos, essa credibilidade foi se transmitindo para as outras empresas do grupo. Todo mundo sabe que eu quero as coisas com seriedade, organização".
"Você tem que ter ambição, competência e sorte. Se tem ambição, tem competência. Se tem essas duas coisas, você tem sorte. Ambição é tudo na vida. Não adianta ficar esperando a oportunidade cair no seu colo"
Háwilla continua trabalhando muito, o que lhe rendeu o peso da responsabilidade daquele que resolve tudo. No momento, ele tenta quebrar a cultura da centralização. "A palavra comodismo é meio dura, mas é o que provoca em alguns diretores do grupo. Eles sempre têm a expectativa de que eu resolva, faça, me responsabilize. Hoje, eu estou revendo essa postura para cobrar a responsabilidade. Já delego mais, mas ainda continua sobrando muito para mim, porque tem isso enraizado nas pessoas".
O rosto sério, o olhar extremamente objetivo de quem sabe das coisas, também deixam espaço para o riso se expressar. Parte da ginga de jogador. "Na vida, tudo é relacionamento. Você vai fazer negócios, ações, eventos, sociedades, namorar, casar, ter filhos, tudo é relacionamento. Se você consegue construir um relacionamento na sua vida, fará alianças que só vão ajudálo. Fui observando as pessoas de sucesso. Aquelas que querem crescer na vida, fazer coisas grandes, tem que fazer alianças."
Quantas pessoas estão envolvidas no Grupo Traffic?
Uns 1600 funcionários. Temos diretores que são gestores. Cabe a mim acompanhar, trocar ideias, me dedicar às coisas relevantes. Deixo o que é do dia a dia. Acho que até tolhe a liberdade, tira a criatividade das pessoas se eu ficar entrando em todas. Acima de determinado valor financeiro ou de valor estratégico, ou que envolva a imagem da empresa, ainda preciso ser consultado.
Como era o marketing esportivo antes da agência?
Não existia. Até hoje é muito difícil, com todo o avanço. O marketing esportivo surgiu nos anos 60, nos Estados Unidos. Depois foi para a Europa, em 75. Para cá, veio em 85. Nós estamos desde 1980 numa empresa que não era de marketing esportivo, era publicidade em campo de futebol. Viajando para o exterior e vendo como a coisa se desenvolvia, fui vendo que o caminho era fazer algo mais amplo: o marketing de um evento, comprar um evento e transformá-lo por meio do marketing. Aí nós fomos começando lá pelos anos 90, a exercer o marketing de verdade.
Qual país é o modelo perfeito?
Estados Unidos, sem dúvida. É o máximo. Temos uma empresa lá, a Traffic, há 19 anos, que faz mais ou menos o que a daqui faz - futebol do Caribe, dos Estados Unidos, México e América Central. Cria e desenvolve torneios, eventos, comercializa, difunde, vende. O grande crédito dessa empresa foi ser um divulgador do futebol brasileiro e sul americano. É isso o que a Traffic fez.
"Acho difícil um jornal nacional dar certo. Pode ver que todos tentaram: O Globo, Estado, Folha. Mas, a mídia caminha para a regionalização. Diferentemente da internet, que não tem fronteira regional"
Mas a venda de espaço em campo não era marketing esportivo?
Foi a oportunidade de negócio, o início e foi amadurecendo. Seguimos um caminho. A partir dali, fomos abrindo os tentáculos para outros caminhos. Alugamos canal de televisão por um tempo, pegamos todo o esporte da Band por três anos e meio; depois pegamos todo o esporte da Record. Hoje, temos uma área de preparação de atleta de alta performance, que é a Academia Traffic de Futebol, com centro de treinamento, em Porto Feliz (SP). Ligada a ela, temos um time (o Desportivo Brasil). Também temos um time profissional nos Estados Unidos, o Miami Futebol Clube, e compramos, há menos de um ano, o Estoril, de Portugal. O de Miami participa do campeonato americano e o Estoril, campeonato português e das copas de lá, da segunda divisão.
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