E os primeiros resultados com o Diário de S. Paulo?
Já me perguntaram se vou mudar o nome do jornal para Bom Dia, mas respondo sempre que não, porque a Globo investiu pesado oito anos na marca Diário de S.Paulo. O objetivo é o seguinte: perdemos de 10 a 12% de assinantes do Diário - leitores de idade, que assinavam o antigo Diário Popular há 30, 40 anos, que não gostaram do novo modelo. Só que ganhamos 40% de novos leitores. Estamos fazendo uma transformação, perdendo os velhos e ganhando os novos. Não queria perder os velhos, mas eles não se adaptaram ao novo modelo. Essas pessoas querem ver os comentários editoriais como os do Estadão. Eles gostam de dobrar o jornal, ler textos enormes.
Agora só notas curtas, editorial pequeno, falando objetivamente sobre um assunto. As notícias são curtas. Somos hoje, um jornal pós-noticioso. Não dá para competir com a internet. Mas o jornal não vai acabar. O que já acabou é a notícia do jornal, porque ela deixou de ser fresca. O cara morreu hoje ao meio-dia e todo mundo já deu - TV, rádio, internet, todos os sites, blogs... Agora, fazer o trabalho do 'porquê e como ele morreu, contar uma história de quem era o cara', no dia seguinte, é o nosso trabalho. O jornal tem que se reinventar.
"O futebol melhorou muito. Até o nível de honestidade e postura dos dirigentes melhorou muito. Há 20 anos, era um desastre. Há 30, então, quando nascemos, um horror"
Quais foram os principais objetivos do projeto gráfico do Diário?
Partimos para isso, sem competir com os meios rápidos, com jornal colorido, bem na era da internet. Não podemos ser a internet, mas temos que chegar perto dela; pequeno, de fácil leitura e fácil manuseio, para ler no ônibus, no trem, no carro. Não dá trabalho para ler, para carregar. Ali tem tudo, 64 páginas de todos os assuntos. Não fazemos como os jornais tradicionais. Explicamos o assunto de maneira direta e objetiva, para a pessoa entender o que está acontecendo.
Não tive o menor medo da internet na Rede Bom Dia. No Diário, sim. Você não tem na internet um site falando com rua esburacada num bairro de Sorocaba. Em São Paulo, tem. No Brasil, tem. Nosso noticiário nacional é menor do que os outros jornais, porque não interessa para os paulistanos. Para eles, oferecemos um jornal de São Paulo e, tradicionalmente, o Diário Popular era assim. Ele vendia 200 mil exemplares na banca; as pessoas procuravam emprego, classificados. Queremos mais ou menos voltar a essa origem.
Você aumentou o faturamento com o novo formato?
Ainda não, porque só faz um mês. O jornal não reage automaticamente, ele tem um tempo de maturação. Agora temos uma tiragem grande (100 mil exemplares). Quando nos entregaram o jornal, estava caindo absurdamente mês a mês. Não estava nem em 40 mil. Tanto é que fizemos essa mudança acelerada. Agora vem numa crise ascendente.
Como andam os negócios no interior?
Também é negócio de longo prazo. O jornal está fazendo cinco anos. Estamos agora atingindo um patamar bom, mas também vamos mudar o projeto para o mesmo modelo do Diário. Já é parecido, mas será o mesmo. O conteúdo é compartilhado. Mais ou menos 60% do Bom Dia, o restante é noticiário local. A redação que alimenta os jornais fica no Diário, em São Paulo. É a CEC (Central de Edição Compartilhada). É uma gestão à parte, com um editor que cuida só disso. Está dando muito certo.
Além da sinergia muito grande, conseguimos fazer uma economia de escala. Jornal, hoje, é produção de escala. Acho difícil um jornal nacional dar certo. Pode ver que todos tentaram: O Globo, Estado, Folha. Mas, a mídia caminha para a regionalização. Quanto mais globalizada, mais regionalizada vai ser. Por isso, acredito no modelo. Diferentemente da internet, que não tem fronteira regional. Também temos um portal, do Bom Dia. Lá,você escolhe em qual jornal quer navegar e entra no site, com notícias locais.
E a publicidade, muda conforme a cidade e a região?
Muda. Temos uma modelagem, mas tudo é adaptável, conforme é preciso. Muda o modelo, o tamanho, os valores. Temos quatro jornais no Bom Dia, e mais cinco afiliados. Com quatro, não quero mais ter jornais, quero ter afiliações, como na televisão. Isso é novo, de um ano para cá. Temos uma equipe nacional que cuida da franquia e, quando fazemos a venda nacional, recebemos e damos uma parte para as afiliadas também.
"O Diário de S. Paulo é um jornal pós-noticioso. Não dá para competir com a internet. Mas o jornal não vai acabar. O que já acabou é a notícia do jornal, porque ela deixou de ser fresca"
Há projetos para aumentar o número de assinantes?
Sim, isso é a nossa vida. A principal estratégia é por meio de campanha. Estamos fazendo pouco a pouco; primeiro, uma campanha de lançamento. Depois, de assinantes, de classificados, de venda em banca, uma série de campanhas. No momento, nossa campanha é de lançamento, com promoções que são esses anabolizantes, como se diz. No Diário, por exemplo, estamos dando todo dia uma moto, um carro... No Bom Dia é da mesma forma. O jornal tem que pensar o tempo todo em promoções para vender.
PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>