A aceitação e a utilização do papel reciclado no mercado editorial têm contornos diferenciados, definidos a partir do tipo de produto a ser impresso. Além de diminuir o impacto ambiental, ainda apresenta particularidades interessantes. "Alguns tipos de reciclados apresentamuma coloração que facilita a leitura noturna, caso dos papeis tipo Dunas, Polen e Chamois, que possuem coloração amarelada justamente para evitar o reflexo de luz, comumente causado pelo papel branco Alto Alvura. Esse tipo de papel é mais recomendado para livros com texto e impressos em preto e branco. É claro que também temos impressão colorida nesse papel, mas nos livros de arte e com acabamentos sofisticados (verniz UV, laminação, hot stamping), a impressão não é muito recomendada", ressalva Clineu Stefani, diretor comercial da gráfica Bandeirantes.
![]() |
Mais de 3,7 mil cooperados vendem mensalmente toneladas de
papel para a Suzano
|
A fama de não ser apropriado para impressão colorida faz com que o reciclado seja desprezado por muitas empresas. "A maioria conhece apenas marcas de papéis com coloração sépia, e o utilizam apenas para rotinas internas. Quando prezam pelo visual, sempre acabam optando por um papel convencional branco, sem saber que existem possibilidades alvas de papéis reciclados. Mesmo quando as empresas conhecem estas opções, consideram seu custo muito elevado", avalia Rodnei Mazara, diretor da Mazara Eco Visual Produções Gráficas Sustentáveis.
Um bom exemplo do uso adequado do reciclado no mercado editorial é a Editora SENAC. "Essa escolha está baseada numa estratégia mercadológica e de diferenciação. Adotamos o reciclado para a maior parte dos nossos livros da área de meio ambiente. O papel reciclado, nesses casos, só não é utilizado para os conteúdos com iconografia e cores, por conta da inadequação ao bom resultado final de apresentação gráfica da obra", pondera Marcus Vinícius, editor da Editora SENAC São Paulo.
Ferramenta estratégica
![]() |
Linda, do Santander: economia de 25% na fabricação do talão de cheque |
Em consenso, editores e gerentes corporativos de empresas preocupadas com a sustentabilidade acreditam que a dosagem exata para o uso do papel reciclado e do certificado fique mais adequada às ações estratégicas de cada empresa produtora e à finalidade destinada ao produto em questão. O Santander, por exemplo, foi o primeiro banco a lançar o talão de cheques impresso em papel reciclado (composição de 75% papel virgem e 25% papel pós-consumo - o papel Reciclato, da Suzano) como parte dos projetos de sustentabilidade, desde 2004. O banco pratica o conceito dos 3 Rs (erres): Reduzir o papel, Reuso do papel e Reciclagem do papel.
"Esse papel tem um preço igual ao do papel branco normal e não encarece nosso processo de fabricação. Assim, evitamos consumir 25% do papel na fabricação do cheque. A economia de 25% representa um peso mensal de 11.900 quilos de papel ou um consumo de 214 árvores por mês. Também é equivalente a 2,5 milhões de folhas de papel A4", exemplifica Linda Murasawa, superintendente de Desenvolvimento Sustentável do Santander.
Segundo ela, os cheques compensados são enviados para microfilmagem, guarda e destruição. Depois da destruição por picotagem, a sobra é vendida no mercado aberto como apara, sendo totalmente reaproveitada.
Com o passar dos anos, o Santander foi desenvolvendo novas estratégias de marketing para reforçar a imagem da empresa: "Paralelamente à aplicação dos 3 Rs, realizamos um estudo comparando o impacto ambiental do papel reciclado e do certificado. Em 2008, um novo estudo revelou que os impactos ambientais eram similares. Por isso, dimensionamos o uso do reciclado e do certificado, que são escolhidos de acordo com o tipo de material de comunicação que vamos produzir", pontua Linda.
Em 2009, o volume de papel utilizado pelo banco foi de 978 toneladas para o reciclado, 2.242 toneladas para o certificado (selo FSC) e 398 para o papel branco comum.
O preço do papel reciclado é igual ao do couché nacional. No passado, era 30% mais elevado
|
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>