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Internet

Rediscutindo o modelo


Do conteúdo grátis para o conteúdo em múltiplas plataformas e a diversificação de receitas


Por Fernando Dias Martins

Foto: Divulgação / ContentStuff

Nesses quatro anos em que a FIPP (Associação Internacional da Mídia Revista) organiza o Digital Innovators’ Summit, houve evolução significativa na forma de pensar a componente digital para os negócios tradicionais de mídia. O evento reúne todo ano a cúpula da indústria da mídia revista na capital da Alemanha, Berlim, para discutir as principais inovações em relação às novas mídias e contou, em 2011, com mais de 400 participantes, durante os dois dias.

Em 2008, a entrega de conteúdo grátis por meio dos sites era a principal estratégia defendida, acreditando-se nos resultados publicitários como forma de rentabilizar o modelo de negócios. Já no ano passado, a conclusão foi de que “erramos a respeito do conteúdo grátis, e devemos fazer algo a respeito”. Alguns defenderam a adoção de barreiras de pagamento (paywalls), porém o conceito de Freemium (continuar a entregar conteúdo grátis, mas incorporando conteúdos e serviços premium que possuam relevância para sua audiência e, assim, possam ser cobrados) foi o mais repetido pelos palestrantes.

Este ano, com a introdução do iPad e a participação crescente dos smartphones, a discussão se dirigiu para a mídia centrada nas necessidades e nos interesses dos leitores, fazendo a entrega de conteúdos na plataforma mais pertinente ao público a cada situação. Os micropagamentos vêm ganhando presença e mostrando alguns casos interessantes de monetização do conteúdo, não só nos dispositivos móveis como também na internet.

O certo é que as diferenças entre players tradicionais, pure players e até as companhias de celular vêm se estreitando. Todos têm se alinhado com empresas de mídia multiplataforma: de um lado, criando e gerindo conteúdo para o público leitor por meio das plataformas disponíveis e, por outro, servindo de ferramenta para os anunciantes.

As empresas de mídia começam a mostrar novamente otimismo – as receitas publicitárias estão se recuperando, as plataformas móveis também começam a mostrar resultados, assim como as iniciativas para a diversificação das linhas de receita.


Empresas de mídia impressa se movem da receita entre circulação e publicidade para um modelo mais complexo


Os cases de sucesso vêm mostrando que as antigas empresas de mídia impressa já avançam rapidamente para empresas com geração de conteúdo voltadas para múltiplas plataformas – caminhando do texto e foto para o conteúdo que se escuta, assiste e toca com as mãos – com áudio, vídeo, realidade aumentada, conteúdo interativo, serviços embutidos. Além de também se moverem do modelo tradicional da receita bifurcada entre circulação e publicidade para um modelo muito bem mais complexo, agregando comércio eletrônico, eventos, serviços de marketing, entre outros.

Experimentação é a palavra-chave do momento, principalmente quanto ao uso dessas novas plataformas. Como sugeriu no evento o presidente da Hearst, David Carey: “Você provavelmente tem coisas mais antigas no seu freezer do que este negócio (de tablets). Ainda é cedo e os modelos de negócio ainda estão se formando”.

O 4º Digital InnovatorsSummit aconteceu em Berlim, nos dias 14 e 15 de março de 2011 e o resumo dos dias do evento podem ser acessados no seguinte endereço: http://update.ContentStuff.com

 

* Fernando Dias Martins é fundador e diretor-geral da ContentStuff

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