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Reportagem

Comunicação corporativa

Mais proximidade


Jornalistas apontam como as corporações podem melhorar sua relação com os profissionais da informação


Por Luiz Gonzaga S. Neto

Divulgação/TV Cultura
Para melhorar a relação com os profissionais da informação, as corporações precisam conhecer as particularidades de cada mídia


Para melhorar o relacionamento com os jornalistas, as empresas deveriam estabelecer um contato mais próximo com os profissionais da imprensa e conhecer melhor as particularidades de cada mídia: TV, rádio, internet (incluindo as redes sociais) e publicações impressas. Essas são as principais sugestões de jornalistas às empresas, que incluem ainda recomendações por maior agilidade e disponibilização de profissionais de assessoria capacitados para o trato com a informação e de porta-vozes adequados. Uma postura profissional, mas próxima, personalizada e ágil por parte das assessorias de imprensa resulta quase sempre em maior obtenção de espaço editorial.

Jornalista que já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira, Ricardo Kotscho, comentarista do Jornal Record News, repórter especial da revista Brasileiros e autor do blog Balaio do Kotscho, afirma que o universo das relações entre empresas e jornalistas cresceu demais nos últimos anos. "Tem muita gente dos dois lados. Com isso, houve uma perda da qualidade do relacionamento. Acho que essa relação deveria ser mais personalizada, mais pessoal", afirma.

Divulgação/Estadão ESPN
Filomena, da Estadão ESPN: a preocupação é
com o impacto da notícia na rotina do ouvinte

Kotscho recebe cerca de 500 e-mails por dia com releases sobre programas culturais, lançamentos de produtos e entrevistas coletivas que não têm nada a ver com sua atividade. "Esses releases disparados indiscriminadamente viraram um grande negócio. Os caras compram um mailing e mandam notícias para 5 mil jornalistas, mas nenhum deles lê nada disso. Depois, o assessor vai prestar contas ao cliente e diz: 'Fiz tantos textos, mandei não sei quantos e-mails'. Isso não quer dizer nada, não dá resultado e acaba dando raiva na gente", alerta.

Segundo Kotscho, se a empresa ou a assessoria tem um produto para lançar, um negócio ou evento para promover, primeiramente precisa avaliar a quem interessa essa informação e fazer a coisa pessoalmente, direcionar melhor, ir à redação, falar com a pessoa certa. "Acho que a assessoria de imprensa está se tornando uma atividade muito preguiçosa, está tudo no piloto automático", completa o jornalista.

Para Clóvis Rossi, repórter especial e membro do Conselho Editorial do jornal Folha de S.Paulo, é difícil avaliar, de forma geral, a relação entre empresas e jornalistas. "Diferentes empresas têm diferentes relações com diferentes meios de imprensa e diferentes jornalistas. Seria preciso analisar caso a caso", afirma o jornalista. "Do lado de cá do balcão, espero apenas que as empresas sejam transparentes e tenham disponibilidade para atender demandas, sem se esconder. Prestar informações relevantes e honestas é a melhor maneira para as empresas ocuparem mais a mídia".

Trabalhando em uma publicação mensal, Antônio Félix, jornalista responsável pelos projetos especiais da revista Época Negócios (Ed. Globo), recebe também uma enxurrada de sugestões de pauta que, invariavelmente, não têm nada a ver com o foco da revista, resultando em um aproveitamento próximo a zero de releases. "É difícil você ter uma sugestão de pauta inédita. As empresas poderiam fazer sugestões de pauta mais interessantes", sugere.

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