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Reportagem

Primeiros passos


Os anúncios em tablet ainda engatinham, sem explorar todas as possibilidades que a plataforma oferece


Por Gabriella de Lucca

Fotos:Divulgação/DM9DDB
Aos poucos, a publicidade nas plataformas digitais vai encontrando o modelo eficaz. Esta campanha, inovadora e interativa, é da Bohemia

 

A venda de tablets não para de crescer no mundo todo, o que traz novos desafios para o mercado editorial e publicitário. Apesar de os usuários desse tipo de aparelho terem mais propensão a consumir publicidade do que leitores de outras mídias, as campanhas elaboradas para essa plataforma ainda não exploram as diversas possibilidades oferecidas pela tecnologia dos aparelhos. Aos poucos, a publicidade tenta encontrar seu caminho.

Basicamente, há três formatos de publicidade para tablet: anúncios estáticos - que apresentam simplesmente uma imagem, similar ao que se veicula em mídia impressa -, multimídia (com áudio, vídeo e até animação) ou patrocinados, nos quais há uma ação de branding, com o logo do patrocinador espalhado em pontos estratégicos da página. A partir disso, a criatividade pode voar alto para conseguir chamar a atenção do leitor para a marca. Assim, os designers estão inovando e buscando formas diferentes e criativas de criar anúncios ou até mesmo peças publicitárias completas que são inseridas nas publicações.

Divulgação/Digital Pages
Mourad, da Digital Pages: as agências mais ousadas buscam arrancar gestos do leitor

"O que tem sido comum é o cliente pedir interatividade nos anúncios. As agências mais ousadas querem arrancar alguns gestos do leitor, dar mais de uma opção de área de hit [áreas clicáveis que disparam informações] do anúncio. Quando você consegue captar o leitor para que ele interaja com a peça [publicitária], você pode conseguir que ele fique por minutos. A plataforma é muito flexível", explica Youssef Mourad, CEO da Digital Pages, empresa que desenvolve aplicativos que facilitam a leitura de publicações na web e em dispositivos móveis.

Diversas publicações já apresentam anúncios com interações, não só com filmes, áudios, áreas sensíveis ao toque e várias camadas de informação, como também aproveitam os recursos dos devices - o acelerômetro, a identificação da orientação (vertical ou horizontal) e localização do leitor.

Divulgação/4Capas
Schnyder, da 4 Capas: o céu é o limite, depende da disposição e tecnologia dos anunciantes

Para Antonio Lapa, representante no Brasil da WoodWing Software (empresa que adapta conteúdo de revistas para tablets), muitas editoras obtêm receita, mas os números são relativos, porque o volume de tablets no país ainda é pequeno. "As agências confiam nessa plataforma, mas estão mais preocupadas com rádio, TV e mídia impressa, que dão mais retorno". Entretanto, observa Lapa, primeira vez, a publicidade pega o leitor mais do que o papel: com videos, detalhes nas fotos. "Outra vantagem é o Analytics, que fornece relatórios sobre qualquer inserção que o leitor tenh com o anunciante", completa.

"O anúncio da Bohemia tem uma gota que vai caindo, você equilibra a gota no tablet e ela vai percorrendo o espaço. Na medida em que a gota passa pela página, abre um texto relativo à imagem. Já o Pão de Açúcar fez uma harmonização de vinhos, em três páginas duplas, cada uma com proposta de harmonização diferente, contendo prato e sobremesa", descreve Georges Schnyder, diretor de publicidade da Prazeres da Mesa (Ed. 4 Capas).

O aplicativo para iPad do The New York Times, por exemplo, tinha 45 anunciantes em agosto deste ano. Em setembro, o jornal fechou um contrato de patrocínio exclusivo do aplicativo com a Ralph Lauren. Durante todo o mês, rodou dentro do aplicativo do jornal uma peça publicitária da loja, com interatividade, e-commerce, vídeos, conteúdos de moda e tendências. "Para mim, este é um perfeito exemplo do potencial que temos nos tablets. O leitor pode ficar horas navegando no anúncio da Ralph Lauren. Nenhum simples spot ou comercial de TV ou qualquer outro formato consolidado pode provocar isso", aposta Mourad, da Digital Pages.

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