Portal Negócios da Comunicação

  • Twitter
  • Facebook
  • Orkut
Adicione esta p?gina aos seus favoritos
OK
Reportagem

Octávio Florisbal

Ligado em você


Comandar a terceira maior TV do mundo não tira de Florisbal a preocupação com cada ponto de audiência


Por Inês Pereira

Divulgação/Marly Pereira
Octávio Florisbal guarda os segredos da Globo. Tem desenhado na mente a complexa estratégia que torna a emissora a mais assistida de norte a sul do país. Ele está exatamente entre os Marinho, com quem se reúne semanalmente a portas fechadas, e os 25 gestores de áreas, com os quais se relaciona diariamente. Esse ano, Florisbal completa 10 anos no cargo de diretor-geral da maior televisão da América Latina. Com um expediente que começa às 9h30 e termina às 22h30 — e uma média de dez reuniões por dia — seria de se esperar uma presença no mínimo apressada. Mas o jeito tranquilo de falar denota um estilo discreto, que valoriza a organização. Ele é todo ouvidos, sem perder o timing vital para uma rotina totalmente dedicada ao trabalho, que não dá espaço para pompa e circunstância. “Uma coisa que eu digo para mim mesmo é que eu não sou diretor geral da Globo, eu estou diretor. Porque isso é um processo, há um momento de entrar e haverá um momento de sair. Dependendo da sua capacidade de gestão, dos parceiros com que você conta, você fica mais ou menos tempo”.


Florisbal não ‘nasceu’ administrador. Seu perfil executivo foi sendo talhado com o tempo, ao longo dos 30 anos de carreira na Globo — em 1982, a convite de Ulisses Alves e Dionísio Poli para criar a área de marketing e fazer dela um canal de comunicação entre a área comercial e a de conteúdo; depois, assumindo o posto de superintendente comercial e, a partir de 2002, a direção geral. Ele começou a vida como publicitário e, no ofício, atuou durante 20 anos. “Aprendi muito com grandes profissionais e grandes amigos com quem convivo até hoje”. A formação em agência, para ele, é orgulho assumido. “A equipe que construiu a Globo dos primeiros anos e que o Dr. Roberto inteligentemente delegou, era um grupo todo de publicitários. O Walter Clark, o Boni, o Magaldi, o Carlito Maia... Eram todos publicitários. A base da Globo foi composta quase que inteiramente por publicitários. Acho que é porque tínhamos uma visão de mercado de não apenas olhar para o próprio umbigo, mas também para todos — o mercado, a audiência, o telespectador, a parceria com os afiliados. Eles construíram uma série de princípios fundamentais para a evolução da TV Globo. A Globo que existe hoje deve muito a esses publicitários todos, dos quais eu espero um dia fazer parte.” É na sua ampla sala de trabalho, no alto do edifício Roberto Marinho, em São Paulo, onde mantém residência fixa, que Florisbal conversa sobre como a TV Globo se reinventou para receber com tapete vermelho a mais nova parcela consumidora da sociedade – a nova classe média – e porque, recentemente, foi considerada a terceira emissora do mundo.


"Modéstia à parte, temos um modelo de integração com nossos afiliados que considero o mais avançado que já vi. Já fomos aos Estados Unidos, ao Japão, à Europa para ver como se dá essa relação e é cada um por si e Deus por todos. Aqui não, aqui é tudo integrado"


Em televisão, tudo já foi feito?
Do meu ponto de vista, sempre haverá algo para se fazer na televisão, pois ela, na verdade, é um processo. Quando você considera todas as áreas do conteúdo, seja entretenimento, esportes, jornalismo, programas de nicho ou qualquer outro gênero, sempre encontra algo que deve ser renovado. Principalmente nessa época em que vivemos, onde a TV aberta já teve o seu espaço tão ampliado, para a TV via cabo, internet, celulares... Já está fora do lar, em ônibus, taxis, aviões. sempre surgindo novas tecnologias que impactam a transmissão, o conteúdo... Então, digo que avançaremos sempre, estaremos sempre nos renovando muito em função do que a tecnologia possibilita. Ela exerce grande influência na evolução de conteúdo, de formatos, não só em TV como em todos os meios de comunicação.


Aquele temor que tínhamos no passado -- “ai meu Deus, as novas mídias vão acabar com a televisão” – se revela justamente o contrário. O que está havendo é uma convergência de dentro da televisão. Os smartphones, as TVs conectadas, os portais de internet... O aparelho de televisão provocou a convergência de todos esses meios, o que é muito interessante e ressalva a importância dessas inovações tecnológicas. Hoje as pessoas assistem ao jornal, à telenovela, ao jogo de futebol e comentam no Twitter, no Facebook. Então a TV aberta continua sendo um meio de comunicação muito importante, além de possuir reflexo em outras mídias.


"Não é mais: “eu quero sair desse bairro popular e ir para um bairro chique”, hoje é: “eu quero morar aqui, crescer e ser reconhecido aqui”. A TV entendeu que tinha de colocar conteúdos com essa maneira de ser e de viver. Temos feito ajustes e aprendido muito com isso"


E quanto aos celulares, em particular?
Hoje, no Brasil, temos mais de 200 milhões de celulares e a população está trocando para a geração 3G, e daqui a pouco, para a 4G. Então imagina-se que até 2014, desses 200 milhões de aparelhos, 100 milhões já terão sinal 3G e capacidade de sintonizar televisão pelo ar e via telecom. Esse mesmo público que assiste televisão em casa vai passar a assistir fora de casa também, de manhã até a noite. E como mais de 80% da população passa horas no trânsito, na ida e na volta do expediente, assistir aos seus programas de televisão pelo celular vai tornar a vida um pouco melhor. É uma nova oportunidade que surge extraordinária! O celular será uma mídia de massa, e a publicidade provavelmente vai aproveitar isso também.

1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>

Capa da Revista

Sumário

Edições Anteriores

Assine

Edição 63 - Abril / 2013

Folheie a revista


Folhear

Comunidade

Banner 300x115
Untitled Document