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Reportagem

Design gráfico

Mais do que mil palavras


Atraente e com bastante conteúdo, o infográfico recebe cada vez mais atenção das publicações brasileiras


Por Danylo Martins

 

Reprodução/Galileu
A TV paga atende a todos públicos, o que possibilita anunciar diretamente para o perfil desejado. Acima, o programa As Olívias (Multishow)

 

Como funciona um eletroeletrônico, quais as atividades do organismo de um tubarão. Esses e outros temas complexos ganham vida por meio do infográfico. Em reportagens de fôlego, o recurso visual facilita a leitura com esquemas simplificados, animações, gráficos e tabelas. Utilizado cada vez mais em jornais e revistas, une informação jornalística com elementos artísticos - em uma relação nem sempre harmoniosa. A discussão colocada é se um infográfico pode ser criado somente com base na informação apurada ou envolvido pelo imaginário do criador.

Para Luiz Iria, diretor de núcleo de infografia da Editora Abril, o jornalístico e o artístico devem sempre caminhar juntos. "Uma ótima apuração traz credibilidade e uma arte bem-realizada conquista a atenção do leitor", afirma. "Eu defendo a integração de ambos, pois na infografia texto e arte têm como função trabalhar juntos para simplificar informações. A infografia colabora para que as legendas sejam mais explicativas, pois as imagens complementam a informação que o texto traz".

O diretor de infografia e multimídia da Editora Globo, Alberto Cairo, tem uma opinião mais contundente e acredita na funcionalidade do infográfico para que ele desperte a atenção do leitor, sem confundi-lo com muitas informações. "Sou muito partidário da infografia funcional. A infografia não é arte", sintetiza. "As direções que tomamos na hora de montar um infográfico devem ser pensadas. Se você quer fazer um infográfico de comparação, faça algo com uma única magnitude, um gráfico de barras, por exemplo. Há outras regras também, como não usar muitas cores", defende.

Para Cairo, é fundamental compreender antes a pauta que está sendo desenvolvida para depois partir para a criação. "A intuição não substitui a pesquisa para produzir um infográfico. Eu não confio muito nas minhas intuições. É melhor sempre estudar para ter o melhor infográfico. A infografia é um pouco a engenharia da comunicação", define.

Ciência acessível
Independentemente de ser mais próximo do jornalístico ou do artístico, o infográfico certamente ganhou maior importância nos veículos brasileiros nos últimos anos. A produção nacional está cada vez melhor, influenciada por periódicos internacionais, como os jornais El Mundo e El País, da Espanha, e o The New York Times, dos Estados Unidos, que segundo Iria, da Abril, é um dos títulos mais respeitáveis do mundo em infografia.

Contando histórias que nem sempre conseguem ser traduzidas unicamente por meio de texto, o recurso é bemsucedido no mercado editorial brasileiro. Não por acaso, revistas com foco em ciências e conhecimentos gerais são as publicações que mais usam a ferramenta. Por meio dessas ilustrações, seus temas complexos ganham forma e, graças a elas, tornam-se mais palatáveis. A Galileu (Ed. Globo) e a Superinteressante (Ed. Abril) são bons exemplos nesse sentido.

Para Ricardo Martins, diretor de arte da Galileu, a infografia precisa detalhar visualmente algo e na revista isso é fundamental. "O recurso possibilita explicar temas muito complexos para entender somente por meio do texto", destaca. "Imagine explicar o funcionamento de uma enzima no cérebro humano apenas citando os passos. Seria muito difícil para um leigo imaginar esse processo, mas com uma imagem, mesmo que ilustrativa dessa reação, conseguimos criar uma definição mais próxima da realidade em nossa mente".

A revista conta com uma seção chamada Numeralha, que em toda edição publica um infográfico para destrinchar algum tema geralmente associado a valores. "Na seção, tentamos manter uma linguagem mais padronizada ao longo dos meses, trabalhando somente com vetores e uma paleta de cor mais definida", descreve Martins. Explorando bastante o visual, a publicação costuma ter diferentes maneiras de abordar algum assunto. "No restante da revista, os infográficos variam de acordo com a matéria em que estão vinculados e utilizam diversos recursos, como 3D, Photoshop etc.".

Acervo pessoal/Acervo pessoal
Iria, da Ed. Abril: texto e arte trabalham juntos para simplificar informações
Bosqué, da Ed. Abril: uma das características é ampliar a capacidade leitora dos estudantes

 

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