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Radiodifusão

A voz do Brasil


Programa sobrevive há sete décadas, divide opiniões e vira pauta de um projeto de lei que se arrasta há quase dez anos


Por: Andréa Cambuim

Divulgação/EBC
A maioria dos donos de rádios opta pela flexibilização do horário da Voz do Brasil. Alguns preferem a sua extinção


O rádio há tempos deixou de ser o único meio de receber notícias. Agora o cenário que encontramos é cada vez mais globalizado e cheio de opções. O mercado radiofônico segmentou-se e está disposto a atender públicos específicos.

A busca de uma transmissão perfeita, com uma prestação de serviço imediata é o resultado esperado para o futuro pelos profissionais do setor. "O rádio ainda está longe do modelo ideal em relação ao imediatismo, existe um caminho e buscamos isso dia após dia", dispara o diretor geral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Luis Roberto Antonik.

Um dos problemas apontados pelos profissionais do rádio, e que vem incomodando há algumas décadas, é a obrigatoriedade da transmissão do programa A Voz do Brasil. As opiniões se dividem e o clima anda tenso. Procuradas pela reportagem de Negócios da Comunicação, inclusive, diversas emissoras preferiram não se manifestar sobre o assunto. Muitos julgam que o programa é antiquado para os tempos modernos, outros já são taxativos quanto a sua extinção.

"Uma pesquisa apontou que A Voz do Brasil é acompanhada por 21,3% dos ouvintes de rádio do Brasil, o que permite concluir que o programa ainda é fonte de informação para parte considerável da população", afirma Yole Mendonça, secretária-executiva da Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal. (Veja Box na pág. 47)

Divulgação/Abert
Antonik, da Abert: A flexibilização do programa vai trazer benefícios para todos

A Jovem Pan, de São Paulo, não esconde a insatisfação. Em seu site, a rádio tem um espaço dedicado à campanha, em que o ouvinte tem liberdade para manifestações sobre a obrigatoriedade da Voz do Brasil. "Ainda existe um ranço governista na apresentação e direção do programa. O ideal é que acabasse de vez com o programa, não existe mais a necessidade de um canal como este com tanta tecnologia disponível", afirma o coordenador de produção da rádio, José Armando Vanucci.

A CBN também é categórica quando o assunto é a programação obrigatória. "O programa é completamente obsoleto e impede que os radiodifusores possam oferecer à sociedade uma programação mais democrática e alinhada", comenta Rubens Campos, diretor geral do Sistema Globo de Rádio, do qual a CBN faz parte.

A direção da emissora, afirma que recebe com frequência e-mails de ouvintes irritados por estarem em engarrafamentos sem poder receber informações sobre o trânsito. Segundo Campos, por conta da situação, automaticamente as emissoras perdem audiência e travam, sem intenção, uma guerra de nervos com os seus ouvintes.

Audiência é a questão
A queda drástica da audiência é uma das argumentações dos executivos das rádios. Eles também ressaltam que a importância e a mobilidade do veículo estão sendo ignoradas. "Perdemos a oportunidade de transmitir informações importantes para nosso público. Infelizmente os poderes da República não se mobilizarão para acabar com o seu próprio palanque. Assim sendo, a flexibilização passa a ser a única alternativa viável", acrescenta Campos.

O empenho das empresas radiodifusoras estará sempre concentrado no aumento e/ou estabilidade da audiência. A apresentação do programa do governo, preso à grade do rádio às 19h, constantemente prejudica as empresas do setor. "Quando são 18h59, o rádio está com uma audiência média de 22%, mas quando entra a 'Voz do Brasil', o percentual cai para 2%", aponta Antonik.

Nessa faixa de horário já existe uma queda histórica por conta da imposição legal. Marcson Muller, diretor artístico da Rádio O Dia - emissora FM carioca líder em audiência - aponta que A Voz do Brasil é aplicada num período do dia de grande fluxo de pessoas, havendo migração do ouvinte para outro tipo de entretenimento, impossibilitando o retorno para o rádio. "Essa perda, em muitos casos, é irreparável". O diretor, entretanto, pondera: "O movimento é muito importante para o rádio brasileiro, que trás um capítulo marcante de credibilidade para o meio, a partir de conteúdo oficial sobre o país".

A solução a um passo
São várias as ideias para resolver o problema, algumas bem diretas. "Um formato fragmentado, em boletins informativos durante toda a programação diária das rádios traria um retorno bem maior do que o formato usado atualmente te", esclarece Vanucci, da Jovem Pan. Ele acredita que a solução modernizaria a forma de o governo se comunicar com os cidadãos.

Fragmentar o programa com boletins informativos
durante o dia é uma das sugestões


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