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Como a mídia anda tratando de assuntos "delicados" como a homofobia ou movimentos antimachistas que levam mulheres indignadas a promover manifestações provocativas do tipo "marcha das vadias"? Ou, ainda, mulheres de até 70 anos que exibem os seios numa exposição de fotografias intitulada "De peito aberto"?
Duas matérias que abordam questões como essas ganham destaque nesta edição. Uma delas, assinada pelo repórter Dum De Lucca, trata da cobertura sobre a homofobia , tema que ocupa cada vez mais espaço nos veículos de comunicação, principalmente em função da violência contra homossexuais; outra, sobre campanhas e ações de cunho social, algumas alcançando grande repercussão e envolvendo milhares de pessoas.
A primeira reportagem mostra que, apesar de ocupar espaço crescente na mídia, o problema da homofobia, ao lado de outros aspectos ligados à homossexualidade, ainda é tratado com reservas por grande parte dos veículos de comunicação. Um dos entrevistados, jornalista, considera que isso se deve a uma boa dose de "homofobia embutida na mídia". Não se trata de atitude explícita: muita gente nas redações ainda não conseguiu sair de seus "armários homofóbicos". Militantes da causa gay afirmam que a grande mídia não trata com mais amplitude as questões da discriminação por medo de perder negócios. Um exemplo, diz um deles, conselheiro da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo, foi a recente retirada do portal gay do UOL, "por pressão de anunciantes".
Enquanto isso, o carro-chefe do mesmo conglomerado a que pertence o UOL, a Folha de S.Paulo, mantém um blog que trata amplamente dos assuntos gays em seu site. E a revista Trip publicou recentemente uma edição inteira sobre diversidade sexual. O tratamento do tema garantiu à revista o Prêmio Arco-íris de Direitos Humanos, na categoria Imprensa.
"Comunicação do bem" é o título mais que apropriado para a matéria que trata da acolhida da mídia às campanhas e ações de promoção social. A repórter Carmen Cagnoni reuniu vários casos de sucesso dessas iniciativas que mobilizam a população, como as campanhas "Cabelereiros contra a AIDS", do Instituto L`Oréal, e "De peito aberto", que mostra mulheres de idades variadas exibindo os seios, numa exposição que conta a sua luta contra o câncer de mama. A exposição já foi vista por 3 milhões de pessoas, enquanto outras 10 milhões foram atingidas pela divulgação da mídia.
No mundo corporativo, os cuidados não são menores. O mesmo tratamento despendido para temas como homofobia e responsabilidade social vem sendo dado pelas empresas que não querem ser uma a mais na multidão - pior, desaparecer do mercado. Na matéria "O valor da marca" (página 26), a repórter Andréa Cambuim apurou com especialistas em branding e diretores de marketing a importância capital da construção da marca e de sua constante manutenção para permanecer na vida das pessoas. Afinal, como sintetizou o mago das marcas, Walter Landor, 'os produtos são criados na fábrica. As marcas são criadas na mente'.
Audálio Dantas