|
A propósito da reforma ortográfica
Não há contribuição na mudança imposta, pelo contrário e resolveram mexer na forma escrita da nossa comunicaçao. agora que a gente já estava se acostumando com acentos, tremas, hifens daquele jeito que nos ensinaram... vem a mudança. pra facilitar? simplificar? uniformizar? esta teria sido a proposta. pena que demorou um pouco e nos pegou nesta epoca em que vivemos uma bela (pra nao dizer outra coisa) crise economica planetária. pois em plena crise, teremos que gastar tempo e dinheiro para reaprender miudezas na lingua escrita. as editoras terao que investir em papel (arrancado das nossas matas na forma de madeira), em maquinas (arrancadas de financiamentos caros) e em pessoal especializado, contratado para "traduzir" toneladas de textos que nao vao mais servir pois foram escritos antes da atual reforma ortográfica. a criançada vai ter de jogar fora os velhos livros escolares. nao vai haver possibilidade de reutilizaçao. todos estao contaminados pelas antigas formas de escrita. milhares de toneladas de papel irao para o lixo. ou serao recicladas, de preferencia. está certo que temos um tempinho para esse reaprender, mas as publicaçoes já nao se arriscam a sair à rua sem as novas regras da reforma. nem nossos gibis. onde apenas o cebolinha e o chico bento teriam licença para exercitar sua ortografia propria com base na fala. redatores, secretarias, jornalistas, tabelioes, juizes, professores, comunicadores, estao preparando suas proprias reciclagens ortográficas. é lei. é ordem. é de se cumprir. como se esforçou para cumprir o meu pai, nos idos de 1943, quando teve que reaprender o idioma com a reforma ortográfica de entao. e ela vinha com mudança pra ninguem botar defeito. eu me lembro dele mais minha mae tentando "traduzir" letras de suas musicas, poesias, sonetos, para nao ter que jogá-los fora. e o esforço que meu pai fazia para redigir corretamente, na entao nova ortografia, seus textos para programas de radio, novelas... foi uma violencia contra o pouco tempo de que ele dispunha. mas foi um aprendizado. e uma prova de que o homem se adapta. aprende. e passa a usar ferramentas novas em busca de comunicaçao facilitada. nos tambem vamos nos adaptar. e retirar da atual reforma o que ela tem de pratico, de bom, de facilitador, de unificador. o que ela ainda apresenta de duvidoso, a gente ajuda a "consertar". na pratica do dia-a-dia. a propósito, dia-a-dia é escrito assim? mauricio de sousa
em tempo - este texto foi escrito no meu laptop, da maneira como eu me comunico com meus amigos e funcionarios: somente com minusculas, sem a maioria dos acentos e ainda sem conhecimento pleno da nova ortografia. o que me faz pensar que, do jeito que as coisas vao, tao rapidas, logo, logo (é assim que se escreve?) estaremos estudando uma nova reforma. sem maiusculas, sem acentos desnecessarios para o entendimento, sem frases longas ou palavras separadas, juntando-se sinais e sons que comuniquem mais facilmente. algo como o mineires das gostosas historinhas que ouvimos como piadas, talvez prenuncio da proxima simplificaçao inteligente da nossa lingua.
|