|
Tom Camargo
Sócio diretor da FSB Comunicação 1. Como a recente retração na economia, fruto da crise mundial iniciada em outubro de 2008, se refletiu na comunicação? Tratando em especial da comunicação corporativa, registramos, na FSB, um primeiro movimento de encolhimento de investimentos que durou até o final de fevereiro, principalmente no setor privado. Mas a partir daí, voltou-se a contratar e a investir, ainda com cautela, em diferentes iniciativas. O setor privado registrou maior retração que o público. 2. A essa altura, já é possível apresentar projetos e traçar metas sem que o cliente assuma uma postura resistente? Os clientes de comunicação têm se tornado cada vez mais cuidadosos na hora de gastar. A multiplicidade de novas frentes para investir (novas tecnologias e a valorização das atividades below the line, por exemplo) têm justificado o cuidado redobrado em autorizar investimentos. 3. De alguns anos para cá, as agências de comunicação do país atingiram um patamar alto do ponto de vista de profissionalização. Essa expansão ainda continua? Sim, e tal avanço tem caráter estrutural, na medida em que as agências incorporam ao seu portfólio novas disciplinas e mostram-se competentes para transformar a comunicação num ativo muito importante para as empresas, as instituições, os governos e os indivíduos. 4. Como a FSB se prepara para absorver a tecnologia cuja evolução não deve terminar? Temos avançado de forma rápida, consistente e sustentada em todo o leque de atividades digitais, ao mesmo tempo que privilegiamos o fortalecimento de nossas equipes nas atividades de planejamento, equacionamento de problemas e conceituação. A FSB tem sustentado, de forma histórica, um padrão de investimentos que a mantém em posição de liderança no setor. 5. Quais os principais canais de comunicação utilizados pela agência para fortalecer seus clientes no mercado? As mídias ditas tradicionais continuam muito importantes e, dependendo do público alvo, usamos combinações variadas de canais. Temos acompanhado com interesse o crescimento significativo dos jornais populares. E, como já disse, temos investido muito na gestão dos meios digitais, com ênfase nas redes sociais. 6. Como é a estrutura da FSB? Temos, hoje, cerca de 340 colaboradores. Eles estão distribuídos por núcleos de atividades e atuam em nossos escritórios do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. 7. Quantas contas a agência detém atualmente? Cerca de 140 contas. O numero de profissionais dedicados varia muito, dependendo da complexidade da conta. E, muitas vezes, formam-se grupos ad hoc para atender aos picos de atividade. 8. Quais são os produtos e os serviços mais solicitados e os pontos fortes da agência? A FSB investiu em uma estrutura abrangente e moderna. Temos áreas fortes de pesquisa (FSB - Pesquisa), design (FSB - Design) e digital (FSB - Digital). Além disso, mantemos investimento continuo nas atividades de relações com a mídia. 9. Dos segmentos de atuação da agência, qual foi o mais atingido pela crise e, consequentemente, o mais difícil de ser trabalhado no momento? Num primeiro momento, houve retração dos setores de bens duráveis de maior valor, como autos, simultaneamente a uma desaceleração de negócios imobiliários e financeiros. Mas, gradualmente, retomamos níveis normais de atividade. 10. Em que medida as agências de comunicação concorrem com as de publicidade? Nesse sentido, o mercado está se "redesenhando"? Na FSB não vemos as agências de publicidade como concorrentes, mas como parceiras. O redesenho do mercado significa que todos os seus participantes trabalham no sentido de encontrar suas zonas de conforto, representadas pelas áreas em que suas competências especificas dão aos clientes a melhor relação de custo-beneficio.
|